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BlogUm jogo de grandes resultados: lucros pessoais, perdas sociais

Um jogo de grandes resultados: lucros pessoais, perdas sociais

Um_jogo_de_grandes_resultadosPhilip Read

Em “Jogos Políticos nas Empresas”, destacamos que os jogos apresentam certas características, como: comportamento manipulador, consequências paradoxais, repetitividade, contagiosidade.  Todos os jogos têm resultados, e um claro sinal de que estão sendo jogados é que todos fingem que não estão jogando. Infelizmente, há um jogo muito desestabilizador sendo praticado em larga escala, o qual podemos chamar de “lucros pessoais, perdas sociais”.

Neste jogo, há um período de desenvolvimento especulativo, seguido de um período de queda e, então, algum tipo de socorro financeiro. A dinâmica do jogo é a seguinte:
Durante o desenvolvimento especulativo, é comum ouvirmos as expressões: é preciso revogar a legislação constritiva, nova era, eliminar a interferência do governo no mercado, etc. No período de queda e socorro financeiro, as mesmas pessoas dizem: grande demais para quebrar, questão de segurança nacional, é preciso que o governo apoie a todos, pois todos vão sofrer as consequências, mal necessário, etc. E, paralelamente, será praticado o jogo de fingir indignação e restringir as remunerações aos executivos, na esteira do socorro governamental.

Na minha opinião, esse jogo está atingindo proporções perigosas, que podem causar uma grande intranquilidade social se alguma coisa não for feita a respeito. Os comportamentos manipuladores atingiram um nível tão alto na última repetição desse jogo (veja, por exemplo, as últimas revelações relativas ao papel da Goldman Sachs na AIG, e o papel do New York Fed na supressão de informações), que a probabilidade de consequências paradoxais (como a intranquilidade social, que destrói as fortunas e a segurança daqueles que parecem estar recebendo compensações de curto prazo) está aumentando. Observo os ataques ao ex-presidente do Bank of Scotland, como um pequeno exemplo desse comportamento. Os lucros privados colhidos durante o último boom de Wall Street, e a escala de socorros financeiros pagos pela sociedade em geral são agora tão desproporcionais que parece incrível que ainda não tenha havido um levante popular em grande escala.

Esse jogo já foi jogado antes (1989 socorro financeiro a S&L, 1992 Bank of New England, 1998 socorro financeiro ao Long Term Capital Management), mas nunca em escala tão grande. Na análise feita por Eric Berne sobre os jogos, ele fala sobre jogos que operam em três graus de intensidade, de suave à violenta.
O jogo de primeiro grau é aquele socialmente aceitável no círculo de representantes.
O jogo de segundo grau é aquele que não traz danos permanentes nem irremediáveis, mas os participantes preferem escondê-lo do público.
O jogo de terceiro grau é aquele praticado para sempre, que termina na sala de operações, no tribunal, ou no necrotério. Esta situação pode bem resultar em um jogo de terceiro grau.

Espero que todos (investidores, reguladores, bancos, cidadãos) descubram uma forma de estabelecer um diálogo expressivo sobre esse jogo a fim de evitar sua recorrência, ou pelo menos minimizar sua escala.

 

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Jogos do Mês

Jogo L4 - Envolvimento de Faz de Conta

Para jogar o Envolvimento de Faz de Conta, o gerente realiza pesquisas de opinião, reúne grupos de discussão ou convoca reuniões de envolvimento para comunicar que "sua opinião conta", mas tudo isso tem como objetivo apenas fazer com que as pessoas se sintam participantes, em vez de fazê-las participar realmente. A verdadeira intenção é apenas evitar queixas e fazer com  que os gerentes possam mostrar para seus chefes que estão "fazendo a coisa certa" - engajando seu pessoal no processo de tomada de decisões. Esse mesmo jogo ocorre quando os líderes envolvem superficialmente os subordinados diretos, solicitando seus pontos de vista sobre a estratégia do departamento, mas confiando apenas na propria opinião pessoal. O cinismo acaba sendo a resposta final dos subordinados a esse tipo de jogo, e perde-se  o respeito pela liderança. E a coisa é talvez ainda pior quando o gerente necessita de que seu pessoal se mostre realmente comprometido e colaborativo em um grande projeto, e encontra dificuldade em assegurar seu envolvimento.

Elogios sobre Jogos Politicos

jacopoUma leitura fantástica não apenas para líderes e executivos seniores, mas também para os profissionais que querem crescer dentro de organizações complexas. Goldstein e Read dissecam a dinâmica interpessoal que afeta o desempenho da empresa, proporcionam uma estrutura conceitual para compreensão dos jogos praticados nas empresas, e oferecem ferramentas práticas para correção desses comportamentos e aumento da eficiência.

Jacopo Bracco vice-presidente executivo, DIRECTV Latin America

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