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Jogos Políticos nas apresentações

Games_during_PPT_presentationsAbril 2011 – Philip Read

Os jogos florescem em ambientes onde os riscos são altos e há muita pressão. Funcionam como um mecanismo consciente ou instintivo, para “aguentar a barra” e “sobreviver”, sempre à custa de alguém. A longo prazo isso apenas onera a organização, porque os jogos levam a uma distorção nas informações, que terão como conseqüência tomadas de decisões precárias, além de minar a confiança necessária para manter relacionamentos sólidos que sustentem o desempenho da empresa.

Para muitos líderes, as apresentações para gestores sêniores são uma ocasião em que as apostas são de alto risco e onde a intensa pressão se sente no ar. Portanto, não é surpresa encontrar muitos jogos sendo praticados nesse ambiente. Enquanto as apresentações estão sendo realizadas, há inúmeras possibilidades em jogo. Por exemplo:
- Solicitar apoio para um determinado projeto ou investimento;
- Argumentar a favor de um orçamento;
- Apresentar a visão geral de um negócio e a forma como ele está sendo gerido;
- Propor uma ação para reparar alguma situação em crise;

Em muitos casos, o apresentador se vê numa posição de tentar “vencer a qualquer custo” (para obter apoio de um projeto ou aprovação do orçamento), ao invés de estimular um debate racional e inteligente entre os gestores, a fim de se chegar a uma melhor decisão. Portanto, todos os meios se tornam lícitos para vencer. Vamos analisar quais são os mais utilizados (excluo aqui o pré-lobbying, que, obviamente, é muitas vezes crucial; quero comentar apenas o que acontece na apresentação em si).

- Ofuscado/Deslumbrado com a pseudo-ciência: nesse jogo um conjunto de informações “científicas” externas (benchmarks, melhores práticas, etc) são agrupadas para dar sustentação a uma determinada recomendação. Aqui o jogo consiste na maneira como essas informações são apresentadas, sem nenhum equilíbrio/totalmente em desequilibrio (outras boas práticas são deixadas de lado, e alguns dados importantes, ignorados). O resultado pode ser uma sequência de tomadas de decisão ineficazes, já que o assunto foi abordado apenas parcialmente/superficialmente.

- Mentiras, Malditas Mentiras e Estatísticas: Como já sabemos, estatísticas podem ser apresentadas de tal forma que induzem ao erro. Vejamos: escalas que não conferem com a realidade (por exemplo,fazer com que pequenos desvios pareçam maiores). Escolher um determinado intervalo para apresentar algo como uma tendência, que na verdade não é, se for escolhida uma outra escala de tempo. Usar gráficos 3D ao invés de 2D ou até mesmo 1D, fazendo com que o crescimento pareça mais impressionante (já que você está mostrando esse crescimento na forma de “cubo” e não na sua forma linear).

- Das Duas, Uma: apresentar opções num slide do tipo “apoie esta recomendação” senão (alguma coisa ruim) acontecerá”, sem apresentar outras opções.

- Gráficos Apelativos: Apresentações altamente rebuscadas, que lançam mão de gráficos da empresa para impressionar (e desviar a atenção para o que não foi realizado). Sempre me lembro dos gráficos imponentes da indústria farmacêutica, com “close-ups” de células pulsantes sob o microscópio eletrônico que encobriam ou substituíam realizações mais significativas.

A tecnologia facilita alguns desses jogos, de certa maneira ajudando a mascarar a realidade. Estima-se que 500 milhões de pessoas usem o PowerPoint para apresentar suas idéias. Nenhum formato é imparcial (inclusive o Facebook). Sempre agilizam algumas coisas (no sentido de “ficar mais fácil”) porém prejudicando outras. O Power-Point, na sua essência, apela para o olho, sendo mais um meio de “venda” do que um facilitador para a tomada de decisão em grupo. Ao assistir apresentações em PowerPoint, seja um tanto cético: o que estão me vendendo, e o que o “mágico” está escondendo? E quando preparar suas próprias apresentações em PowerPoint, faça a pergunta-chave: será que estou tentando “ganhar”ou estou apresentando um estudo equilibrado que facilitará a discussão e conduzirá a um melhor resultado para a organização e para os clientes.

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Jogos do Mês

Jogo L4 - Envolvimento de Faz de Conta

Para jogar o Envolvimento de Faz de Conta, o gerente realiza pesquisas de opinião, reúne grupos de discussão ou convoca reuniões de envolvimento para comunicar que "sua opinião conta", mas tudo isso tem como objetivo apenas fazer com que as pessoas se sintam participantes, em vez de fazê-las participar realmente. A verdadeira intenção é apenas evitar queixas e fazer com  que os gerentes possam mostrar para seus chefes que estão "fazendo a coisa certa" - engajando seu pessoal no processo de tomada de decisões. Esse mesmo jogo ocorre quando os líderes envolvem superficialmente os subordinados diretos, solicitando seus pontos de vista sobre a estratégia do departamento, mas confiando apenas na propria opinião pessoal. O cinismo acaba sendo a resposta final dos subordinados a esse tipo de jogo, e perde-se  o respeito pela liderança. E a coisa é talvez ainda pior quando o gerente necessita de que seu pessoal se mostre realmente comprometido e colaborativo em um grande projeto, e encontra dificuldade em assegurar seu envolvimento.

Elogios sobre Jogos Politicos

jacopoUma leitura fantástica não apenas para líderes e executivos seniores, mas também para os profissionais que querem crescer dentro de organizações complexas. Goldstein e Read dissecam a dinâmica interpessoal que afeta o desempenho da empresa, proporcionam uma estrutura conceitual para compreensão dos jogos praticados nas empresas, e oferecem ferramentas práticas para correção desses comportamentos e aumento da eficiência.

Jacopo Bracco vice-presidente executivo, DIRECTV Latin America

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